Análises Vacinação
Vacinação: 4 em cada 5 municípios ficaram abaixo da meta de pólio
A meta do Ministério da Saúde para a cobertura vacinal infantil é de 95%. Em 2021, segundo o IEPS, 4.139 dos 5.570 municípios com dado disponível ficaram abaixo desse patamar — ou 74,3% do total. Em 1.693 municípios, a cobertura registrada ficou abaixo de 70%, e em 553, abaixo de 50%.
A média nacional ponderada pela população foi de 70,3% para a pólio. O número está longe da meta e esconde diferenças grandes entre estados e entre cidades do mesmo estado.
Como foi calculado
Usamos a cobertura vacinal contra a pólio de 2021, a mais recente disponível na base do IEPS para todos os municípios. O indicador é o percentual de crianças vacinadas em relação à população-alvo estimada. Também olhamos o percentual de gestantes com pré-natal adequado em 2020, último ano com dado completo.
Para evitar distorções de municípios muito pequenos, as tabelas de destaque consideram cidades com pelo menos 50 mil habitantes. A base completa aparece nas fichas de cada município.
Onde a cobertura registrada é menor
| # | Município | UF | População | Pólio (2021) |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Belford Roxo | RJ | 483.087 | 7,9% |
| 2 | Taquara | RS | 53.242 | 8,2% |
| 3 | Rio Bonito | RJ | 56.276 | 10,6% |
| 4 | Medianeira | PR | 54.369 | 12,9% |
| 5 | Manhuaçu | MG | 91.886 | 13,9% |
| 6 | Ilhéus | BA | 178.649 | 17,5% |
| 7 | Nova Iguaçu | RJ | 785.867 | 19,1% |
| 8 | Capão da Canoa | RS | 63.594 | 20,7% |
| 9 | Duque de Caxias | RJ | 808.161 | 20,8% |
| 10 | Frutal | MG | 58.588 | 21,9% |
Belford Roxo (RJ) aparece com 7,9%, seguido por Taquara (RS) e Rio Bonito (RJ). Os valores muito baixos exigem cautela: podem refletir subregistro de doses no sistema de informação, e não necessariamente ausência de vacinação.
Quem chegou a 100%
Entre os municípios com mais de 50 mil habitantes, Jaraguá do Sul (SC), Itanhaém (SP), São Bento do Sul (SC), Cruz Alta (RS), Penedo (AL) registraram 100% de cobertura em 2021. Coberturas acima de 95% também aparecem em cidades menores, mas a volatilidade é maior.
A diferença entre estados
Amapá (43,9%), Roraima (53,0%) e Rio de Janeiro (54,7%) têm as menores médias ponderadas. Santa Catarina (82,3%), Paraná (79,3%) e Tocantins (78,6%) ficam no outro extremo.
| UF | Pólio | Pré-natal adequado (2020) |
|---|---|---|
| AP | 43,9% | 40,8% |
| RR | 53,0% | 45,3% |
| RJ | 54,7% | 69,0% |
| PA | 56,4% | 49,2% |
| MA | 60,4% | 49,9% |
| SC | 82,3% | 78,0% |
| PR | 79,3% | 82,3% |
| TO | 78,6% | 70,3% |
| ES | 77,4% | 73,8% |
| RS | 75,5% | 76,0% |
Pré-natal
A média nacional de pré-natal adequado foi de 71,1% em 2020. Entre os municípios com mais de 50 mil habitantes, as menores taxas aparecem em Paragominas (PA), com 4,1%, Imperatriz (MA) e Luís Eduardo Magalhães (BA). A cobertura de pré-natal é mais estável do que a vacinal, mas também depende do registro no sistema de saúde.
Limitações
- Cobertura vacinal é calculada sobre uma população-alvo estimada; erros no denominador mudam o percentual.
- Doses aplicadas em outro município podem não ser contabilizadas no local de residência.
- Valores muito baixos ou acima de 100% podem indicar subregistro ou duplicidade.
- O dado de 2021 é o último com cobertura completa para todos os municípios na base usada.
Fonte: IEPS, com base em DATASUS, SINASC e Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica. Veja também a análise de IDEB 2025 e o glossário.