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Análises Vacinação

Vacinação: 4 em cada 5 municípios ficaram abaixo da meta de pólio

Por Eduardo Lima e Mariana Costa dados do IEPS

A meta do Ministério da Saúde para a cobertura vacinal infantil é de 95%. Em 2021, segundo o IEPS, 4.139 dos 5.570 municípios com dado disponível ficaram abaixo desse patamar — ou 74,3% do total. Em 1.693 municípios, a cobertura registrada ficou abaixo de 70%, e em 553, abaixo de 50%.

A média nacional ponderada pela população foi de 70,3% para a pólio. O número está longe da meta e esconde diferenças grandes entre estados e entre cidades do mesmo estado.

Como foi calculado

Usamos a cobertura vacinal contra a pólio de 2021, a mais recente disponível na base do IEPS para todos os municípios. O indicador é o percentual de crianças vacinadas em relação à população-alvo estimada. Também olhamos o percentual de gestantes com pré-natal adequado em 2020, último ano com dado completo.

Para evitar distorções de municípios muito pequenos, as tabelas de destaque consideram cidades com pelo menos 50 mil habitantes. A base completa aparece nas fichas de cada município.

Onde a cobertura registrada é menor

Municípios com menor cobertura de pólio em 2021, entre os que têm mais de 50 mil habitantes
# Município UF População Pólio (2021)
1 Belford Roxo RJ 483.087 7,9%
2 Taquara RS 53.242 8,2%
3 Rio Bonito RJ 56.276 10,6%
4 Medianeira PR 54.369 12,9%
5 Manhuaçu MG 91.886 13,9%
6 Ilhéus BA 178.649 17,5%
7 Nova Iguaçu RJ 785.867 19,1%
8 Capão da Canoa RS 63.594 20,7%
9 Duque de Caxias RJ 808.161 20,8%
10 Frutal MG 58.588 21,9%

Belford Roxo (RJ) aparece com 7,9%, seguido por Taquara (RS) e Rio Bonito (RJ). Os valores muito baixos exigem cautela: podem refletir subregistro de doses no sistema de informação, e não necessariamente ausência de vacinação.

Quem chegou a 100%

Entre os municípios com mais de 50 mil habitantes, Jaraguá do Sul (SC), Itanhaém (SP), São Bento do Sul (SC), Cruz Alta (RS), Penedo (AL) registraram 100% de cobertura em 2021. Coberturas acima de 95% também aparecem em cidades menores, mas a volatilidade é maior.

A diferença entre estados

Amapá (43,9%), Roraima (53,0%) e Rio de Janeiro (54,7%) têm as menores médias ponderadas. Santa Catarina (82,3%), Paraná (79,3%) e Tocantins (78,6%) ficam no outro extremo.

Cobertura de pólio por estado, 2021
UF Pólio Pré-natal adequado (2020)
AP 43,9% 40,8%
RR 53,0% 45,3%
RJ 54,7% 69,0%
PA 56,4% 49,2%
MA 60,4% 49,9%
SC 82,3% 78,0%
PR 79,3% 82,3%
TO 78,6% 70,3%
ES 77,4% 73,8%
RS 75,5% 76,0%

Pré-natal

A média nacional de pré-natal adequado foi de 71,1% em 2020. Entre os municípios com mais de 50 mil habitantes, as menores taxas aparecem em Paragominas (PA), com 4,1%, Imperatriz (MA) e Luís Eduardo Magalhães (BA). A cobertura de pré-natal é mais estável do que a vacinal, mas também depende do registro no sistema de saúde.

Limitações

  • Cobertura vacinal é calculada sobre uma população-alvo estimada; erros no denominador mudam o percentual.
  • Doses aplicadas em outro município podem não ser contabilizadas no local de residência.
  • Valores muito baixos ou acima de 100% podem indicar subregistro ou duplicidade.
  • O dado de 2021 é o último com cobertura completa para todos os municípios na base usada.

Fonte: IEPS, com base em DATASUS, SINASC e Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica. Veja também a análise de IDEB 2025 e o glossário.